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ESTADO
DE SANTA CATARINA TRIBUNAL
DE CONTAS DO ESTADO GABINETE CONSELHEIRO LUIZ ROBERTO HERBST |
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Processo n°: |
CON - 10/00421209 |
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Origem:
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Câmara Municipal de Paulo Lopes |
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Interessado: |
José Antônio Rogério |
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Parecer
n° : |
GCLRH/2010/517 |
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Consulta.Contratação de serviço de telefonia móvel pré-pago. Contratação
direta.
Deve ser realizada
mediante regular processo licitatório, ressalvadas as hipóteses de dispensa e
inexigibilidade de licitação legalmente previstas.
RELATÓRIO
Tratam os autos de consulta protocolada no dia 22 de junho
do presente ano, formulada pelo Sr. José Antônio Rogério,
Presidente
da Câmara Municipal de Paulo Lopes, versando sobre dúvida de natureza
interpretativa da Lei de Licitações, nos seguintes termos:
“Uma
Câmara de Vereadores pode adquirir um telefone celular, linha, chip, pré-pago,
optar por um plano mais vantajoso, sem fazer licitação, através de compra
direta, inclusive dos créditos mínimos mensais, ou tem que fazer um certame
entre as empresas?”
A Consultoria Geral emitiu o Parecer
COG n. 313/10, de fls. 03/09, oportunidade onde se verificou que o consulente é
parte legítima para efetuar consultas a esta Corte de Contas. Destaca-se ainda
que a matéria é pertinente conforme o que preceitua os requisitos de
admissibilidade contidos no art. 104, I e III, do Regimento Interno do Tribunal
de Contas.
A consulta não veio instruída com parecer jurídico da Procuradoria
da
Câmara Municipal de Paulo Lopes, conforme o disposto no inciso V do
artigo 104 da Res. nº 06/01, podendo, todavia, ser conhecida por esta Corte
conforme autoriza o § 2º, art. 105 do
Regimento Interno.
Ao tratar do mérito, a Consultoria
Geral assim se manifestou:
“Destarte, predomina a regra de que é devido o
regular processo licitatório na contratação de serviços de telefonia móvel, pré
ou pós pago, visando à obtenção da proposta mais vantajosa para a Administração
Pública, em cumprimento aos comandos do art. 37, XXI, da Constituição Federal e
do art. 2° da Lei Federal nº 8.666/93, à exceção das situações excepcionais de
contratação direta previstas em lei. Esse entendimento está pacificado por este
Tribunal através do Prejulgado 1820 - que inclui os aspectos a serem observados
na contratação -, e do Prejulgado 1116, in verbis:
Prejulgado 1820
1. A aquisição de
aparelhos telefônicos celulares por parte do Poder Legislativo para serem
utilizados por Vereadores em serviço está na esfera do poder discricionário do
Administrador Público, devendo, contudo, ser realizado o devido processo
licitatório, em obediência aos comandos insculpidos nos arts.
37, XXI, da Constituição Federal e 1º e 2º da Lei Federal nº 8.666/93,
ressalvadas as hipóteses de dispensa legalmente previstas.
2. Deverá a Câmara
Municipal editar instrumento normativo a respeito do assunto, disciplinando o
uso dos equipamentos por parte de seus Vereadores, devendo ser observados os
seguintes aspectos:
a) As aquisições deverão ser efetuadas visando ao interesse público, dentro do
que prevêem os princípios da razoabilidade e da
economicidade;
b) Os aparelhos
adquiridos deverão ser utilizados pelos Vereadores apenas na consecução de suas
atividades parlamentares.
3. O lançamento contábil da despesa em tela deverá ser efetuado de acordo com
as regras estipuladas pela Lei Federal nº 4.320/64, bem como pela Portaria
Interministerial nº 163, de 04/05/2001, da Secretaria do Tesouro Nacional.
Prejulgado 1116
1. Com a privatização
dos serviços de telecomunicações e a conseqüente
abertura de mercado, passa a ser necessária a licitação para a contratação e
utilização destes serviços, salvo se na localidade houver inviabilidade de
competição, hipótese onde poderá a Administração utilizar-se do instituto da
Inexigibilidade de Licitação, previsto no art. 25 da Lei Federal nº 8.666/93,
observadas as exigências do art. 26 do mesmo diploma legal.
As situações
excepcionais de contratação direta estão previstas nos artigos 24 e 25 da Lei
n° 8.666/93, que tratam, respectivamente, da dispensa e da inexigibilidade de
licitação. Conforme elucida Maria Sylvia Zanella di Pietro, a diferença básica
entre as duas hipóteses está no fato de que:
na dispensa, há
possibilidade de competição que justifique a licitação; de modo que a lei
faculta a dispensa, que fica inserida na competência discricionária da
Administração. Nos casos de inexigibilidade, não há possibilidade de
competição, porque só existe um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades
da Administração; a licitação é, portanto, inviável.
No caso apresentado,
a contratação mediante dispensa de licitação é possível, desde que o contrato
com a operadora de telefonia celular não ultrapasse R$ 8.000,00 (oito mil
reais) por exercício, conforme preceituado no art. 24, II, da Lei de Licitações
e Contratos Administrativos, in verbis:
Art. 24. É
dispensável a licitação:
(...)
II - para outros
serviços e compras de valor até 10% (dez por cento) do limite previsto na
alínea "a", do inciso II do artigo anterior e para alienações, nos
casos previstos nesta Lei, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo
serviço, compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só
vez;
Ao comentar a
possibilidade de dispensa de licitação para o caso em apreço, Joel de Menezes Niebuhr também ressalta que “A licitação só não seria
necessária se o contrato com as operadoras de telefonia celular a ser firmado
não ultrapassar R$ 8.000,00 por exercício, que é o limite para a dispensa de
licitação do inciso II do artigo 24 da Lei n° 8.666/93”.
Conforme afirma
Marçal Justen Filho, a dispensa decorrente da
contratação com valor reduzido é aplicável, pois “A pequena relevância
econômica da contratação não justifica gastos com uma licitação comum”.
Já a inexigibilidade
de licitação - que poderá ser adotada somente em casos excepcionais e mediante
prévia justificativa que comprove a inviabilidade absoluta do processo
licitatório, atendidos os requisitos do art. 26 da Lei n° 8.666/93 - é cabível
em casos raros na atualidade, dada a
atual pluralidade de prestadores de serviços de telecomunicações, devendo ser
procedido o exame da legalidade no caso concreto.”
O Ministério Público junto a esta
Corte, emitiu o Parecer n. MPTC 5497/2010, de fls. 10/11, posicionando-se pelo
conhecimento da consulta, respondendo-a ao consulente nos termos do Parecer da
Consultoria Geral.
Por conseguinte, entendo que a presente
consulta deva ser respondida conforme o estudo proposto pela área técnica.
VOTO
CONSIDERANDO a análise efetuada pela Consultoria Geral desta Corte, mediante Parecer n. 313/10 ratificada pela manifestação da Procuradoria Geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, mediante Parecer MPTC n. 5497/2010;
CONSIDERANDO a competência deste Tribunal de Contas, conferida pelo artigo 59 da Constituição Estadual, artigo 1º da Lei Complementar n° 202/2000, e no artigo 1°, inciso XV do Regimento Interno;
CONSIDERANDO o mais que dos autos consta, proponho ao Egrégio Plenário o seguinte VOTO:
1.
Conhecer da consulta por preencher os requisitos de admissibilidade previstos
no Regimento Interno;
2.
Responder a consulta nos seguintes termos:
2.1. A
contratação de serviço de telefonia móvel, pré ou pós-pago, deve ser realizada
mediante regular processo licitatório, em obediência aos arts.
37, XXI, da Constituição Federal e 2º da Lei nº 8.666/93, ressalvadas as
hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação legalmente previstas, bem
como atendidos os requisitos arrolados no Prejulgado 1820 deste Tribunal.
2.2. A contratação de serviço de telefonia
móvel pré-pago mediante dispensa de licitação é possível, desde que o contrato
com a prestadora não ultrapasse R$ 8.000,00 (oito mil reais) por exercício,
conforme preceituado no art. 24, II, da Lei n° 8.666/93.
3.
Dar ciência desta decisão, do relatório e voto do Relator que a fundamenta, bem
como deste parecer ao Sr. José Antônio Rogério,
Presidente
da Câmara Municipal de Paulo Lopes.
4. Determinar o arquivamento dos autos.
Gabinete
do Conselheiro, em 21 de outubro de 2010.
LUIZ ROBERTO HERBST
Conselheiro Relator