PARECER
nº: |
MPTC/45333/2016 |
PROCESSO
nº: |
TCE 14/00512872 |
ORIGEM: |
Companhia de Desenvolvimento de Jaraguá do
Sul - CODEJAS |
INTERESSADO: |
Odimir Lescowicz |
ASSUNTO: |
Análise de aspectos relativos ao controle e
á legitimidade das receitas e das despesas, bens de propriedade da companhia
e gastos com pessoal. |
Trata-se de
Tomada de Contas Especial instaurada por esse Tribunal de Contas, em
atendimento ao Despacho Singular GAC/LEC-594/2015 (fls. 203-213), exarado pelo
Conselheiro Relator, quando do julgamento do processo RLA n. 14/00512872, cujo objeto
era, no âmbito da Companhia de Desenvolvimento de Jaraguá do Sul (CODEJAS), o
exame de aspectos relativos ao controle e à legitimidade das receitas e das
despesas, bens de propriedade da Companhia e gastos com pessoal relativos aos
exercícios de 2012 e 2013, vazada a parte conclusiva do referido Despacho nos
seguintes termos:
Diante do exposto, DECIDO:
1. Converter o presente processo em
“Tomada de Contas Especial”, nos
termos do art. 34, §1º do Regimento Interno deste Tribunal (Resolução N.
Tc-06/2001), tendo em vista as irregularidades apontadas pelo Órgão Instrutivo,
constantes do Relatório DCE nº 536/2014.
2. Determinar a citação dos Srs. OSWALDO SANSON JUNIOR,
CPF 614.967.669-20, Diretor
Presidente da CODEJAS de 01/03/2007 a 07/12/2007, e de 02/06/2010 a 16/08/2010,
residente e domiciliado à Rua Canoinhas, nº. 100, Centro, Jaraguá do Sul/SC,
CEP 89252-110; AFONSO PIAZERA NETO, CPF 219.033.449-72, Diretor
Presidente da CODEJAS no período de 16/08/2010 a 31/01/2011, residente e
domiciliado à Rua Exp. Cabo Harry Hadlich, nº. 327, Centro, Jaraguá do Sul/SC,
CEP 89251-380; JAIR AUGUSTO ALEXANDRE, CPF 004.467.489-94, Diretor
Presidente da CODEJAS de 01/08/2006 a 28/02/2007, residente e domiciliado à Rua
Guilhermina Pereira Lima Lenzi, nº. 283, Água Verde, Jaraguá do Sul/SC, CEP
89254-550; DIETER JANSSEN, Prefeito de Jaraguá do Sul e responsável pela
Presidência da CODEJAS no período de 01/04/2013 a 31/03/2014, inscrito no CPF
sob o nº 710.479.219/87, residente e domiciliado à Rua Presidente Epitácio
Pessoa, nº 868, Bairro Centro, Jaraguá do Sul, CEP.: 89251-100; ODIMIR
LESCOWIZC, CPF 538.998.069/72, Diretor Presidente da CODEJAS desde
01/03/2014 até os dias atuais, residente e domiciliado à Rua Berta Weeg, nº. 3714,
Jaraguá do Sul/SC; nos termos do artigo 15, II, da Lei Complementar nº.
202/2000, para, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de publicação
desta Decisão no Diário Oficial Eletrônico do TCE, com fulcro no art. 57, V,
c/c o art. 66, § 3º, do Regimento Interno, apresentar suas alegações de defesa
face às seguintes restrições:
De responsabilidade do Sr. DIETER JANSSEN:
2.1.
Pagamento de R$ 10.867,43 (dez
mil, oitocentos e sessenta e sete reais e quarenta e três centavos) a título de
reflexo/dobra de férias aos empregados Nelson Santos de Lima, Élio João Sene,
Gilberto Mesquita Siqueira, Mariza Ventura Lopes da Silva e Jair Simsem na
ocasião da rescisão do contrato de trabalho, contrariando o disposto nos arts.
153 e 154, §2º, “a”, ambos da Lei n. 6.404/76, bem como o princípio da
eficiência (art. 37, caput, da CF/88).
2.2.
Omitir-se quanto à contratação do
Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como quanto à
necessidade de contratação de um geólogo para compor o quadro de pessoal da
CODEJAS, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei nº
6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade,
impessoalidade e eficiência, previstos no caput do art. 37 da CF/88.
De responsabilidade do Sr. OSWALDO SANSON JUNIOR:
2.3.
Pagamento a maior no valor de R$
3.781,78 (três mil, setecentos e oitenta e um reais e setenta e oito
centavos) ao Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. – ME, relativo ao
termo aditivo ao Contrato nº 001/2009, firmado em 10/09/2012, praticando ato de
liberalidade à custa da Companhia, nos termos do disposto nos arts. 153 e 154,
§2º, “a”, ambos da Lei n. 6.404/76, bem como restaram descumpridos os
princípios da legalidade, da moralidade e da eficiência (art. 37, caput, da
CF/88).
2.4.
Realização de termo aditivo visando à
contratação do Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como
omissão quanto à necessidade de contratação de um geólogo para compor o quadro
de pessoal da CODEJAS. Tal omissão implicou na terceirização ilícita de serviço,
tendo em vista o disposto no art. 3º, “j”, do Estatuto Social da CODEJAS,
contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei nº 6.404/76, bem
como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e
eficiência, previstos no caput do art. 37 da CF/88.
2.5.
Omissão quanto à necessidade de fazer
constar no Contrato nº 007/2012 a cláusula que indica a legislação aplicável à
execução do contrato e em casos omissos, contrariando os termos do disposto nos
arts. 153 e 154 da Lei nº 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da
legalidade e eficiência, previstos no caput do art. 37 da CF/88 e aos incisos
XI e XII da Lei Federal nº 8.666/93.
De responsabilidade do Sr. JAIR AUGUSTO
ALEXANDRE:
2.6.
Realização de termo aditivo visando à
contratação do Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como
omissão quanto à necessidade de contratação de um geólogo para compor o quadro
de pessoal da CODEJAS, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154
da Lei nº 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da legalidade,
moralidade, impessoalidade e eficiência, previstos no caput do art. 37 da
CF/88.
De responsabilidade do Sr. ODIMIR
LESCOWIZC:
2.7.
Contratação do escritório PROSERV
Processamento e Serviços Contábeis Ltda. (Contrato nº 006/2014), bem como
omissão quanto à necessidade de contratação de um contador para compor o quadro
de pessoal da CODEJAS, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154
da Lei nº 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade,
impessoalidade e eficiência, previstos no caput do art. 37 da CF/88.
De responsabilidade do Sr. AFONSO PIAZERA NETO:
2.8.
Omissão quanto à necessidade de fazer
constar nos Contratos nº 003/2010, 004/2010 e 005/2010 a cláusula que
estabelece a vinculação ao termo que exigiu a licitação, bem como a que indica
a legislação aplicável à execução do contrato e aos casos omissos, contrariando
os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei nº 6.404/76, bem como em
ofensa aos princípios da legalidade e eficiência, previstos no caput do art. 37
da CF/88 e aos incisos XI e XII da Lei Federal nº 8.666/93.
Determinar ao Gestor da CODEJAS que:
2.9.
Sejam promovidos estudos e apresentada
a este Tribunal, no prazo máximo de 90 dias, manifestação conclusiva a
respeito da estruturação administrativa e operacional da Companhia, visando que
a extração do saibro seja efetivamente realizada pela estatal, e de modo que
deixe de realizar a terceirização irregular de serviços. Tal providência visa a
realização de uma gestão diligente, eficiente e responsável pelo Gestor da
CODEJAS, em atendimento aos princípios da legalidade e da eficiência, bem como
aos arts. 153 e 154 da Lei nº 6.404/76 e arts. 468 e 483, “a”, ambos da CLT.
2.10.
Seja providenciada a contratação de
empregados para a função de apontador tão logo seja realizado o leilão do
direito de exploração que a CODEJAS possui sobre duas áreas programado para
este ano.
2.11.
Caso não seja realizado o leilão ainda
neste exercício, ou o resultado do mesmo seja infrutífero, o Gestor deverá
providenciar a contratação dos empregados (apontador) com a maior brevidade
possível.
2.12.
Tal providência visa a realização de
uma gestão diligente, eficiente e responsável pelo Gestor da CODEJAS, em
atendimento aos princípios da legalidade e da eficiência, bem como aos arts.
153 e 154 da Lei nº 6.404/76 e arts. 468 e 483, “a”, ambos da CLT.
2.13.
Passe a realizar o ressarcimento da
remuneração do Sr. Odimir Lescowizc à Prefeitura de Jaraguá do Sul, em
atendimento aos princípios da legalidade e eficiência (art. 37 da CF/88), ao
art. 3º da Lei nº 3.640/2004 e aos arts. 153 e 154 da Lei nº 6.404/76.
Determinar ao Prefeito de Jaraguá do
Sul que:
2.14.
Que regularize a cessão do Sr. Odimir
Lescowizc à CODEJAS, nos termos do disposto na Lei nº 3.640/2004.
Recomendar à CODEJAS que:
2.15.
Deve a direção da Companhia tomar providências
no sentido de avaliar a situação de bens móveis em desuso e os que estão em
estado de abandono, e decidir por sua baixa ou reativação. Outra medida a ser
adotada é a colocação de placas de identificação em alguns itens
patrimoniais que ainda não receberam o devido tombamento. Seria importante
também para a Companhia a existência de um documento que pudesse acompanhar e
controlar todos os seus itens patrimoniais, para que a contabilidade pudesse
ficar informada de todas as mutações que possam vir a ocorrer. O art. 87 da
Resolução n° TC 16/94, deste TCE, estabelece que o controle patrimonial deve
ter registro analítico, com a indicação dos elementos necessários para a
identificação de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e
administração. Sobre esse assunto, o Tribunal de Contas do Estado se manifestou
no processo n° REC-08/00317300, no Acórdão n° 0735/20111, recomendando o
registro analítico dos bens de caráter permanente, nos termos do art. 87 da
Resolução n° TC 16/94.
3.
Dar
ciência deste Despacho do Relator, bem como do Relatório nº DCE536/2014, aos Srs. OSWALDO
SANSON JUNIOR, CPF 614.967.669-20; AFONSO PIAZERA NETO, CPF
219.033.449-72; JAIR AUGUSTO ALEXANDRE, CPF 004.467.489-94; DIETER
JANSSEN, Prefeito de Jaraguá do Sul e responsável pela Presidência da
CODEJAS no período de 01/04/2013 a 31/03/2014, inscrito no CPF sob o nº
710.479.219/87; ODIMIR LESCOWIZC, CPF 538.998.069/72, bem como Companhia
de Desenvolvimento de Jaraguá do Sul – CODEJAS.
4. Após
manifestação à citação ou expirado o prazo disposto no item 2 desta deliberação
sem manifestação dos Responsáveis, remeter os autos à Diretoria de Controle da
Administração Estadual – DCE -, nos termos do art. 34, caput, da Resolução n.
TC 06/2001 – Regimento Interno do Tribunal de Contas c/c a Decisão Normativa n.
10/2013.
Os responsáveis, Srs. Dieter
Janssen, Odimir Lescowicz, Jair Augusto Alexandre, Oswaldo Sanson Junior e
Afonso Piazera Neto foram devidamente cientificados por meio dos respectivos Ofícios
TCE/DCE n. 9.608/2015, n. 9.607/2015, n. 9.606/2015, n. 9.604/2015 e n.
9.605/2015 (fls. 214-218).
O
Sr. Dieter Janssen apresentou justificativas de defesa por meio de expediente
sob o protocolo n. 013489/2015 (fls. 223-228).
O
Sr. Odimir Lescowicz apresentou alegações de defesa por meio de expedientes sob
o protocolo n. 014034/2015 (fls. 230-231) e n. 020198/2015 (fls. 275-280).
O
Sr. Oswaldo Sanson Junior apresentou solicitação de prorrogação de prazo para
juntada de defesa pelo prazo de 30 dias (fl. 233), a qual foi deferida pelo
Conselheiro Relator (fl. 233). Após, apresentou justificativas de defesa por
meio de expediente sob o protocolo n. 016743/2015 (fls. 238-240) com a juntada
dos documentos de fls. 241-256.
O
Sr. Jair Augusto Alexandre apresentou resposta por meio de expediente sob o
protocolo n. 018152/2015 (fls. 267-268) e juntou a documentação de fls.
269-272.
O Sr. Afonso Piazera Neto,
apesar de devidamente citado em 15/10/2015 (fl. 284), deixou transcorrer in albis o prazo para manifestar-se,
quedando-se inerte, consoante a informação de fl. 286. Dessa forma, tornou-se
sujeito à incidência da norma contida no art. 15, § 2º da Lei Complementar
Estadual n. 202/2000 (“o responsável que não acudir à citação será considerado
revel, para todos os efeitos, dando-se prosseguimento ao processo”).
A
Diretoria de Controle da Administração Estadual apresentou o Relatório n.
060/2016 (fls. 287-293), opinando pela irregularidade das contas em análise
nestes autos, com imputação de débito, na forma do art. 18, inciso III, alínea
“c” c/c o art. 21, caput da Lei
Complementar Estadual n. 202/2000, no montante total de R$ 10.867,43 de
responsabilidade do Sr. Dieter Janssen, além de sugerir a aplicação de multas
aos Srs. Dieter
Janssen, Odimir Lescowicz, Jair Augusto Alexandre, Oswaldo Sanson Junior e
Afonso Piazera Neto, opinando também pela inclusão de determinação ao
gestor da CODEJAS, tudo consoante os itens 3.1 a 3.3 da conclusão do relatório
técnico em questão.
A fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da entidade em questão está
inserida entre as atribuições dessa Corte de Contas, consoante os dispositivos
constitucionais, legais e normativos vigentes (arts. 70 e 71, inciso II da
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; arts. 58 e 59, inciso
II da Constituição Estadual; art. 1º, inciso III da Lei Complementar Estadual
n. 202/2000; e art. 8° c/c art. 6° da Resolução n. TC-06/2001).
Após análise de toda a
documentação dos autos e consoante informa o relatório técnico de fls. 287-293,
verifico que, de fato, remanescem as irregularidades objeto da presente Tomada
de Contas Especial, diante da ausência de elementos hábeis a elidi-las. Assim,
restam caracterizadas as restrições identificadas pela Área Técnica, as quais
ensejam imputação de débito e aplicação de multas, consoante os comandos da Lei
Complementar Estadual n. 202/2000.
Vejamos.
1.
Contextualização
O presente processo teve
início a partir do encaminhamento da Solicitação de Autuação, sob o protocolo
n. 017654/2014 (fl. 2), para realização de Auditoria Ordinária cujo objeto
seria a análise de aspectos relativos ao controle e à legitimidade das receitas
e das despesas, bens de propriedade da Companhia de Desenvolvimento de Jaraguá
do Sul (CODEJAS) e gastos com pessoal, com fulcro nos exercícios relativos a
2012 e 2013.
A equipe de auditoria foi
apresentada ao Diretor Presidente da CODEJAS por meio do Ofício n. TCE/DCE/AUD
15.013/2014 (fl. 6), constando a Matriz de Planejamento às fls. 7-7v e a Matriz
de Procedimentos às fls. 8-8v.
Após a juntada dos documentos
de fls. 9-175, a Diretoria de Controle da Administração Estadual emitiu o
Relatório de Auditoria n. 536/2014 (fls. 176-199), sugerindo a conversão do
processo RLA n. 14/00512872 em Tomada de Contas Especial e a consequente
citação dos responsáveis inicialmente mencionados para que apresentassem suas
alegações de defesa quanto às irregularidades constatadas pela equipe de
auditoria e discriminadas na Matriz de Achados de fls. 200-202.
Em seguida, Conselheiro
Relator exarou o Despacho Singular GAC/LEC-594/2015 (fls. 203-213), por meio do
qual determinou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial e
determinou a citação dos responsáveis nos moldes em que sugerido pela Área
Técnica.
Como já mencionado, os
responsáveis, Srs. Dieter Janssen, Odimir Lescowicz, Jair Augusto Alexandre,
Oswaldo Sanson Junior e Afonso Piazera Neto foram devidamente cientificados
(fls. 214-218), tendo apresentado as justificativas referidas anteriormente, à
exceção do Sr. Afonso Piazera Neto, que se tornou sujeito à incidência da norma
contida no art. 15, § 2º da Lei Complementar Estadual n. 202/2000 (“o
responsável que não acudir à citação será considerado revel, para todos os
efeitos, dando-se prosseguimento ao processo”).
Após, os autos retornaram à
Diretoria de Controle da Administração Estadual que, por meio do Relatório n.
060/2016 (fls. 287-293), opinou pela irregularidade das contas em análise
nestes autos, com imputação de débito, na forma do art. 18, inciso III, alínea
“c” c/c o art. 21, caput da Lei
Complementar Estadual n. 202/2000, no montante total de R$ 10.867,43, de
responsabilidade do Sr. Dieter Janssen, além de sugerir a aplicação de multas
aos Srs. Dieter Janssen, Odimir Lescowicz, Jair Augusto Alexandre, Oswaldo
Sanson Júnior e Afonso Piazera Neto, opinando também pela inclusão de
determinação ao gestor da CODEJAS, tudo consoante os itens 3.1 a 3.3 da
conclusão do relatório técnico em questão.
Passa-se,
em seguida, ao exame das justificativas e argumentos apresentados pelos
responsáveis frente aos achados da Diretoria de Controle da Administração
Estadual.
2.
Irregularidades
2.1.
Pagamento
de R$ 10.867,43 a título de
reflexo/dobra de férias aos empregados Nelson Santos de Lima, Élio João Sene,
Gilberto Mesquita Siqueira, Mariza Ventura Lopes da Silva e Jair Simsem na
ocasião da rescisão do contrato de trabalho, contrariando o disposto nos arts.
153 e 154, § 2º, alínea “a”, ambos da Lei n. 6.404/76, bem como o princípio da
eficiência incluído no art. 37, caput
da CRFB/88;
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, da omissão por parte do gestor quanto à concessão de
férias aos empregados conforme determinado pela Consolidação das Leis
Trabalhistas, o que gerou o pagamento de valores a título de reflexos/dobra,
implicando em inobservância ao disposto no art. 134 da CLT, nos arts. 153 e 154, § 2º, alínea “a”, ambos da Lei n.
6.404/76, e no art. 37, caput da
CRFB/88.
Em face de tal constatação, o
responsável apontado, Sr. Dieter Janssen, em suas justificativas de defesa,
afirmou (fl. 225) que a CODEJAS contabilizou prejuízo de R$ 424.442,90 no ano
de 2013, como resultado de administrações anteriores. Em razão disso, alegou
que “não havia condições financeiras que possibilitariam a concessão de férias
aos funcionários, não restando outra hipótese senão pagá-las no momento da
rescisão”.
Aduziu (fl. 225) que o fato
ficaria ainda mais evidente levando-se em conta a grande quantidade de
rescisões contratuais feitas no final de 2013, quando teria sido cogitado,
inclusive, o encerramento das atividades da CODEJAS, em função da expectativa
de inexistência de êxito nos seus resultados.
Buscou ainda afastar sua
responsabilidade arvorando-se na tese de que não seria o exclusivo responsável
pela CODEJAS à época em que deveriam ter sido concedidas as férias aos
funcionários listados (fl. 225).
Analisando as justificativas
do responsável em cotejo com os documentos constantes dos autos, entende-se
parcialmente sanada a presente restrição, com o afastamento de parte do débito
inicialmente imputado, no que diz respeito aos valores pagos ao Sr. Jair Simsen
e à Sra. Mariza Ventura Lopes da Silva.
Adota-se tal entendimento,
contrário àquele sugerido pela Área Técnica, por se levar em consideração a
situação fática e o contexto vividos pela Companhia à época, conforme relatado
pelo responsável, aos quais se acresce o fato de que os Srs. Jair Simsen e
Mariza Ventura Lopes da Silva ocupavam, respectivamente, os cargos de Chefe
Operacional e Servente, os quais eram únicos na estrutura administrativa da
Unidade Gestora.
Nesse sentido, torna-se
possível concluir que seus afastamentos por motivo de férias, sem que houvesse
quem os substituísse em suas funções, somados à situação de crise vivida pela companhia,
representariam prejuízos ao seu regular funcionamento, importando em prejuízos
efetivos. Nessa medida, entende-se pelo afastamento do débito no que diz
respeito ao montante de R$ 6.107,69 (correspondente ao somatório dos montantes
de R$ 5.074,85 e R$ 1.032,84 recebidos, respectivamente, pelos Srs. Jair Simsen
e Mariza Ventura Lopes da Silva a título de reflexos/dobra de férias vencidas).
Por outro lado, no que diz respeito aos R$
4.759,74 restantes, pagos aos Srs. Nelson Santos de Lima (R$ 1.651,52), Élio
João Sene (R$ 1.969,13) e Gilberto Mesquita Siqueira (R$ 1.139,09), entende-se
pela manutenção do respectivo débito imputado. Chega-se a esta conclusão em
função de, após compulsar os autos, ter verificado que a estrutura administrativa
da companhia, à época, contava com 21 auxiliares de serviços gerais e 8
pedreiros (cargos ocupados pelos citados empregados), de modo que era
plenamente possível que o responsável adotasse medidas no sentido de organizar
escalas, de modo a permitir que todos os empregados usufruíssem do direito às
férias sem que houvesse qualquer prejuízo ao desenvolvimento regular dos
trabalhos da Unidade.
Assim, entende-se que a
conduta praticada feriu direito indisponível e irrenunciável dos
funcionários, de modo que quaisquer argumentos se afiguram infrutíferos na
tentativa de afastamento de responsabilidades. Note-se que o art. 134 da
Consolidação das Leis do Trabalho é taxativo ao delinear que as férias serão
concedidas assim que o empregado adquira o seu direito, não trazendo
quaisquer hipóteses limitativas. Veja-se:
Art. 134. As férias serão concedidas por ato do
empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subseqüentes à data em que o
empregado tiver adquirido o direito.
§ 1º Somente em casos excepcionais serão as
férias concedidas em 2 (dois) períodos, um dos quais não poderá ser inferior a
10 (dez) dias corridos.
§ 2º Aos menores de 18 (dezoito) anos e aos
maiores de 50 (cinqüenta) anos de idade, as férias serão sempre concedidas de
uma só vez.
Acerca do dispositivo
referido, Valentim Carrion[1]
explica que:
A
concessão de férias é ato exclusivo
do empregador; independe de pedido ou concordância do empregado. Devem ser concedidas nos 12 meses que se
seguem a sua aquisição, em um só
período, salvo casos excepcionais; ante o silêncio da lei deve-se adotar o
critério de “necessidade imperiosa” (art. 61, força maior, serviços inadiáveis
ou de inexecução com prejuízo), cf. Amaro Barreto, Tutela, n. 463. Magano discorda, entendendo ser suficiente que não haja
procedimento arbitrário do empregador (Manual,
v. 4). Aos menores de 18 e maiores de 50 anos as férias serão concedidas sempre
de uma só vez; com o acréscimo do advérbio e perante a ausência de permissivo
quando tratou das férias coletivas, há que se concluir que nem sequer nestas o
fracionamento é possível. (grifei)
Imperioso destacar, ainda,
nos moldes em que salientado pela Área Técnica (fl. 288), o risco corrido pelo
responsável uma vez que “além da não concessão das férias devidas, as quais
visam manter a saúde mental e funcional dos empregados”, o responsável
“incorreu no risco de ser acionado judicialmente pela não concessão das
referidas férias”.
De fato, o art. 137 da CLT
traz a previsão de penalização daquele empregador que conceder as férias fora
do prazo referido no art. 134:
Art. 137. Sempre
que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o art. 134, o
empregador pagará em dobro a respectiva remuneração.
§ 1º Vencido o mencionado prazo sem que o
empregador tenha concedido as férias, o empregado poderá ajuizar reclamação
pedindo a fixação, por sentença, da época de gozo das mesmas.
§ 2º A sentença cominará pena diária de 5% (cinco
por cento) do salário mínimo da região, devida ao empregado até que seja
cumprida.
§ 3º Cópia da decisão judicial transitada em
julgado será remetida ao órgão local do Ministério do Trabalho, para fins de
aplicação da multa de caráter administrativo. (grifei)
O doutrinador Sérgio Pinto
Martins[2],
comentado o art. 137 da CLT, explica:
As
férias concedidas fora do período concessivo (art. 134 da CLT) serão pagas em
dobro e não em triplo, ou seja, se já foram pagas uma vez, deve haver o
pagamento mais uma vez para atingir o pagamento em dobro.
O objetivo
do pagamento em dobro é desencorajar o empregador a conceder as férias fora do
período concessivo. [...]
É
faculdade do empregado ajuizar a ação trabalhista no curso de contrato de
trabalho para fixação das férias não gozadas. Ajuizada a reclamação,
caberá ao juiz fixar o período de férias do empregado. Provavelmente, se o
empregador recorrer da decisão, a fixação da sentença será inócua, pois outra
data deverá ser determinada.
O
juiz, ao fixar as férias, se o salário correspondente não tiver sido pago,
determinará o pagamento em dobro, porém, para tanto, deverá haver pedido, pois
o juiz não poderá, nesse caso, determinar tal pagamento de ofício. A regra
trata de iniciativa da parte.
A
determinação do § 2º do artigo 137 é imperativa, visto que o juiz cominará pena
diária de 5% do salário-mínimo da região, que será devida ao empregado, até que
a decisão seja cumprida, no sentido da concessão das férias do empregado. O
juiz poderá determina a multa inclusive de ofício, sem que haja pedido, pois se
trata de norma de ordem pública que visa a que o empregador conceda as férias
ao empregado. É a aplicação do direito francês, no sentido da observância das astreintes, isto é, no pagamento de uma
pena que objetive o cumprimento de obrigação de fazer, de conceder as férias. O
dispositivo é claro, uma vez que a multa reverte ao empregado, não se tratando
de multa administrativa. (grifei)
Quanto ao argumento relativo
à impossibilidade de sua responsabilização, igualmente não assiste razão ao
responsável, na medida em que foi quem geriu a CODEJAS no período entre
01/04/2013 e 31/03/2014, abarcando todos os períodos dentro dos quais os
referidos empregados ainda poderiam ter gozado do direito às férias, além do
fato de que o gestor tem por dever o conhecimento da lei bem como da situação
em que se encontra o quadro de servidores sob sua responsabilidade, conforme
prevê a teoria da culpa in vigilando.
Portanto, conforme o exposto,
sugere-se o cancelamento parcial do débito, no montante de R$ 6.107,69,
regularmente pagos aos empregados Jair Simsem e Mariza Ventura Lopes da Silva,
com a manutenção da parcela referente aos R$ 4.759,74 restantes, pagos aos Srs.
Nelson Santos de Lima (R$ 1.651,52), Élio João Sene (R$ 1.969,13) e Gilberto
Mesquita Siqueira (R$ 1.139,09).
Assim, levando-se em
consideração que não foram apresentados argumentos ou documentos hábeis a
afastar totalmente a irregularidade inicialmente apontada, entende-se por bem a
manutenção da presente restrição, com o respectivo débito dela advindo.
2.2. Pagamento a maior no valor de R$ 3.781,78 ao Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. –
ME, relativo ao termo aditivo ao Contrato n. 001/2009, firmado em 10/09/2012,
praticando ato de liberalidade à custa da Companhia, nos termos do disposto nos
arts. 153 e 154, § 2º, alínea “a”, ambos da Lei n. 6.404/76, bem como os princípios
da legalidade, da moralidade e da eficiência incluídos no art. 37, caput da CRFB/88
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, do pagamento de despesa não amparada pela lei, implicando
em ato de liberalidade à custa da Companhia, violando
o disposto nos arts. 153 e 154, § 2º, alínea “a”, ambos da Lei n. 6.404/76, e
no art. 37, caput da CRFB/88.
Em face de tal apontamento, o
responsável apontado, Sr. Oswaldo Sanson Junior, em suas justificativas de
defesa (fls. 238-240), asseriu (fl. 238) que o quadro apresentado no relatório
de auditoria “não representa o real quadro de pagamentos efetuados ao referido
escritório de Geologia” uma vez que “apenas somando o valor pago ao longo do
exercício parece que houve pagamentos a maiores que estipulado pelo contrato”.
Esclareceu ainda que as notas fiscais apresentadas correspondem ao período
entre janeiro de 2012 e 12/08/2013, abrangendo, portanto, mais de um exercício
e mais de um aditivo contratual.
No que diz respeito às notas
fiscais n. 1706 e n. 2205, explicou (fl. 238) que se referem a projetos não
contemplados pelo contrato, o qual prevê o acompanhamento e manutenção de
processos já existentes. Explicou, ainda, que (fls. 238-239):
As
notas fiscais 2184/2125/1973/1713/1639/1486/1422 (anexas), correspondem ao
terceiro aditivo do contrato 001/2009, já as notas 1328/1251 respectivamente
pertencem a meses do segundo aditivo do contrato 001/2009, portanto períodos
diferentes, por isso valores diferentes também.
Ainda
resta informar que a época a companhia enfrentava graves problemas financeiros
o que a impedia de saldar suas dívidas nos respectivos vencimentos, efetuava-se
pagamentos em determinadas épocas que correspondia a mais de uma nota fiscal emitida,
tais pagamentos porém nunca foram efetuados com multas ou juros, sempre nos
valores originais.
Ao final, afirmou (fl. 239)
que jamais teria havido, de sua parte, “qualquer ato de liberalidade,
ilegalidade, imoralidade ou ineficiência” e que sempre teria prezado “da melhor
maneira possível resguardar todas as garantias da companhia” e a “lisura dos
processos administrativos e contábeis”, aduzindo que eventuais falhas seriam
oriundas de “lapso e não por dolo a empresa”.
Analisando a questão, a Área
Técnica trouxe as seguintes considerações (fls. 289):
Conforme
documentação apensada, cópias de notas fiscais, fls. 241-251 é possível
constatar as informações prestadas pelo Responsável, como as Notas Fiscais nº
1706 e 2205 as quais referem-se a Projetos de Requerimento de Pesquisa e
serviços de geologia, no momento de R$ 11.567,67, serviços os quais não estão
contemplados no Contrato 01/2009, e que poderiam perfeitamente serem efetuados
pelo geólogo de carreira da empresa.
Também
se constata que as notas fiscais nº 1328 e 1251, fls. 250 e 251, no montante de
R$ 4.754,42, correspondem respectivamente aos meses de agosto e julho de 2012,
logo, fora do período de abrangência do respectivo adendo. Ressalta-se que as
referidas notas fiscais foram emitidas em 03/09/2012 e 01/08/2012,
respectivamente, contudo somente foram registradas na contabilidade da empresa
em 01/12/2012, fl. 252, informação esta que pode vir a distorcer a real
situação financeira e econômica da empresa.
Logo,
mediante a exclusão do montante de R$ 4.754,42, referente ao somatório das
notas fiscais nº 1251 e 1328, resta comprovado que durante o período em questão
não houve pagamento a maior do referido contrato, motivo pelo qual resta sanada
a referida restrição.
De fato, verifica-se que as
Notas n. 1706 e 2205 (fls. 241-242) trazem como discriminação do serviço,
respectivamente, “projetos de requerimentos de pesquisa” e “serviços de
geologia – requerimento de pesquisa”, ao passo que dentre os serviços
componentes do objeto do Contrato n. 001/2009 (fl. 58), não constam serviços de
pesquisa.
Da mesma maneira, as Notas n.
1328 e n. 1251 (fls. 250-251) trazem como data de emissão, respectivamente,
03/09/2012 e 01/08/2012, fora do período abrangido pelo aditivo. A confusão,
consoante referido pelo excerto colacionado do relatório técnico, se originou
em função do fato de que ambas as notas somente foram registradas em 01/12/2012
(fl. 252).
Em função dos esclarecimentos
prestados e removendo os respectivos valores obtidos a partir deles do montante
total, verifica-se que realmente não houve pagamento a maior, sanando, assim, a
irregularidade inicialmente apontada.
Assim, levando-se em
consideração que foram apresentados argumentos e documentos hábeis a afastar a
irregularidade inicialmente apontada, entende-se por bem o afastamento da
presente restrição.
2.3. Contratação do Escritório de Geologia Norberto Corbellini
Ltda. – ME, bem como omissão quanto à necessidade de contratação de um geólogo
para compor o quadro de pessoal da CODEJAS, contrariando os termos do disposto
nos arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da
legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência, previstos no art. 37, caput da CRFB/88
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, da ocorrência de fato caracterizado como terceirização
ilícita de serviço, em afronta ao disposto nos arts.
153 e 154 da Lei n. 6.404/76 no art. 37, caput
da CRFB/88.
Em face de tal apontamento,
os responsáveis apontados, Srs. Dieter Janssen, Jair Augusto Alexandre e
Oswaldo Sanson Junior apresentaram, cada qual, suas respectivas justificativas
de defesa.
O Sr. Dieter Janssen trouxe
(fl. 226) diversos comentários acerca da previsão de inexigibilidade de
licitação prevista na Lei n. 8.666/93, destacando que o Escritório de Geologia
Norberto Corbellini Ltda. – ME se enquadraria na figura de “quem se aprofundou
nos estudos, no exercício da profissão, na pesquisa científica, ou através de
cursos de pós-graduação ou de estágios de aperfeiçoamento”. Discorreu também
acerca do requisito da singularidade, colacionando (fl. 227) excerto da lavra
de Marçal Justen Filho.
Aduziu (fl. 227) que a
CODEJAS necessitaria, em média, de três serviços de geologia anuais, num valor
estimado de R$ 10.000,00, o qual seria “muito abaixo do valor anual que a
Companhia pagaria a um geólogo contratado, devidamente concursado”, asserindo
que a demanda não seria “avolumada”, de modo que entendeu por justificada a
contratação de escritório terceirizado.
O Sr. Oswaldo Sanson Junior
afirmou (fl. 239) que não teria havido omissão na contratação de geólogo ao
quadro da Companhia, mas sim uma “medida de economicidade”, alegando que a
realização de concurso para contratação de geólogo representaria um custo muito
superior para a CODEJAS. Argumentou que o salário mínimo da categoria
profissional de geologia, somado aos encargos trabalhistas dele advindos,
traria um gasto “bem mais elevado à administração da CODEJAS, do que os R$
2.509,86” que eram pagos mensalmente à época.
Apontou, ainda, a incidência
de gastos indiretos com assinaturas de informativos da área profissional,
despesas em outros cursos e eventos de atualização profissional, salientando
que não teria havido de sua parte dolo nem qualquer ato de liberalidade,
ilegalidade, imoralidade ou ineficiência.
Por sua vez, o Sr. Jair
Augusto Alexandre (fls. 267-268) manifestou-se nos mesmos termos em que o Sr.
Oswaldo Sanson Junior.
Inicialmente, cabe elucidar
que o argumento de que a CODEJAS necessitaria, em média, de três serviços de
geologia anuais não condiz com a realidade. Da leitura atenta do Contrato n.
001/2009 (fl. 58) extraem-se diversos serviços cujas periodicidades são muito
menos espaçadas do que quis fazer crer cada responsável. Veja-se:
CLÁUSULA
SEGUNDA – DA FORMA DE EXECUÇÃO
Os
serviços serão realizados pela Contratada em seu estabelecimento comercial,
exceto quanto a
2.1
– Assistência técnica às atividades de extração mineral desenvolvidas pela
Contratante, que deverá ser feita, in loco, pelo menos uma vez por semana.
2.2
– Apoio e orientação técnica às áreas administrativas e técnicas, a ser
prestados uma vez por mês na
sede da Contratante e, ainda, sempre que convocado pela Administração.
2.3
– Acompanhamento de processos junto aos órgãos federais ou estaduais, inclusive
com a realização de viagens, quando
necessário.
2.4
– Atendimento a outras necessidades técnicas ou administrativas, relacionadas
com Assessoria ou Consultoria, às atividades de exploração mineral, a ser
prestado na sede da Contratante ou em qualquer outro lugar que esta designar.
§
1º - A comprovação dos serviços realizados durante o mês deverá ser feita
pela Contratada mediante a emissão da respectiva Nota Fiscal de Prestação de
Serviços, acompanhada dos documentos apresentados mensalmente aos órgãos
competentes, relativos a atividade mineral, devidamente certificado pela
Administração da Contratante.
§
2º - Sempre que atividade a ser desenvolvida requerer o deslocamento e
permanência de técnico da Contratada em outra cidade distante da sede da
empresa em mais de 200 km, as despesas correrão por conta da contratante.
(grifei)
Note-se, igualmente, que o
argumento referente à inexigibilidade de licitação pode ser afastado de plano,
uma vez que a questão nem mesmo permite tal discussão, na medida em que a
irregularidade apontada diz respeito justamente à impossibilidade de atuação de
profissionais que não sejam componentes dos quadros da CODEJAS, configurando a
malfadada terceirização irregular.
Nesse sentido, entende-se
importante repisar os apontamentos feitos pela Área Técnica no Relatório de
Auditoria n. 536/2014 (fls. 181v-182v):
Em razão de a estatal possuir os
direitos de exploração da matéria-prima (saibro), ela fica responsável pela
identificação, licenciamento e locação do terreno compatível para extração,
como também incumbida de gerenciamento e fiscalização da atividade. Para
isso, a CODEJAS conta sempre com um profissional contratado (terceirizado –
Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. - ME) especializado nas áreas
de geologia e meio ambiente, que realiza
todo o trabalho de projeção, acompanhamento e assistência técnica da atividade.
Na prática, o processo se inicia com a localização do terreno
que será alvo de extração, sendo este de propriedade de terceiros. Após
identificação da propriedade, a Companhia realiza o pedido de lavra junto a
FATMA – Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina e o requerimento de alvará
de pesquisa, obtido no DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. Um
projeto de licença para exploração da jazida é elaborado pela estatal e
encaminhado a esses órgãos competentes para análise, sendo esse documento uma
condição necessária à obtenção da autorização de exploração. Obtidas as licenças juntos à FATMA e o DNPM,
um contrato de locação é firmado entre a CODEJAS e o proprietário do terreno.
Todo esse trabalho burocrático é executado e acompanhado pelo profissional
terceirizado e especializado em geologia e meio ambiente.
Segundo informações coletadas na
Companhia, foi firmado um contrato em 04 de agosto de 2009 com o Escritório de
Geologia Norberto Corbellini Ltda – ME, com duração de 12 (doze) meses, podendo
ser prorrogado, por aditamento, nos limites fixados pelo inciso II, do artigo
57, da Lei Federal n° 8.666/93 (documento de fls. 58 e 59). O valor acordado
foi de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais) mensais. As cláusulas referentes
ao objeto e forma de execução estão descritas a seguir:
CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO
Constitui objeto deste Contrato a
prestação de serviços de Assessoria e Consultoria na área de geologia e meio
ambiente, relacionados às atividades de mineração desenvolvidas pela
Contratante, compreendendo.
1.1 – Apoio e orientação técnica às
áreas administrativas e técnica da contratante para elaboração de estudos e
projetos destinados à exploração mineral;
1.2 – Assistência técnica as
atividades de extração mineral desenvolvidas pela Contratante;
1.3 – Apoio técnico na fiscalização de
documentação e de processos para requerimento de Autorização de Pesquisa
Mineral e Licenciamento Mineral, junto ao DNPM e demais órgãos competentes;
1.4 – Acompanhamento junto ao DNPM,
FATMA, IBAMA e demais órgãos competentes da tramitação dos processos referidos
no item 1.3 desta cláusula;
1.5 – Outras atividades relacionadas à
Assessoria ou Consultoria sobre atividades de mineração desenvolvida pela
Contratante
CLÁUSULA SEGUNDA – DA FORMA DE EXECUÇÃO
Os serviços serão realizados pela
Contratada em seu estabelecimento comercial, exceto quanto à:
2.1 – Assistência técnica às atividades
de extração mineral desenvolvidas pela Contratante, que deverá ser feita, in
loco, pelo menos uma vez por semana;
2.2 – Apoio e orientação técnica às
áreas administrativas e técnicas a ser prestados uma vez por mês na sede da
Contratante e, ainda, sempre que convocados pela Administração;
2.3 – Acompanhamento de processos junto
aos órgãos federais ou estaduais, inclusive com a realização de viagens, quando
necessário;
2.4 – Atendimento a outras necessidades
técnicas ou administrativas, relacionadas com Assessoria ou Consultoria às
atividades de exploração mineral a ser prestado na sede da Contratante ou em
qualquer outro lugar, que esta designar.
O instrumento foi prorrogado em 10 de setembro de
2010, através de Termo Aditivo ao Contrato nº 001/2009, através do qual foi
prorrogado o prazo de execução até 09 de setembro de 2011.
As demais prorrogações ocorreram em 10 de setembro de
2011 (vigência entre 09/09/2011 a 09/09/2012) e 10 de setembro de 2012
(vigência entre 09/09/2012 a 09/09/2013).
Conforme já apontado em
auditoria realizada em 2010 por este Tribunal (Processo TCE 10/00771455) essas
atividades prestadas pelo Escritório de Geologia
Norberto Corbellini Ltda. nunca foram executadas por pessoal próprio da
CODEJAS, ou seja, sempre foram terceirizadas, o que afronta diretamente seus
objetivos sociais, mais precisamente o art. 3º, alínea “J” do seu estatuto.
Assim, deveria a Companhia possuir estrutura própria para executar tais
atividades.
A irregularidade, inclusive, já foi
analisada pelo Tribunal Pleno deste TCE quando do julgamento do processo TCE 10/00771455, em
24/07/2013, e gerou a imposição de multa aos Srs. Adolar Jark e Afonso Piazera
Neto (decisão nº 815/2013).
Conclui-se, portanto, que a terceirização desses serviços
(ou a manutenção da terceirização), além de infringir o art. 3º, alínea “J” do
seu estatuto social, burla o instituto do concurso público (art. 37, inciso II,
da Constituição Federal), os princípios da moralidade, legalidade e
impessoalidade, dispostos no caput da
Constituição Federal de 1988, e os arts. 153 e 154, ambos da Lei Federal nº
6.404/76. (grifei)
Neste contexto, no qual se
configura burla ao dever de diligência do administrador, têm-se os seguintes
comentários de autorizada doutrina[3]
acerca do art. 153 da Lei n. 6.404/76:
O
princípio é originário da tradicional figura romana do vir probus, do bônus pater
famílias. Trata-se, evidentemente, de paradigma que não pode ser fixo e
rígido, transformando-se com o passar dos tempos, dos costumes e das relações
econômicas e políticas. Tem o dever de diligência o sentido de cuidado
ativo, zelo, aplicação aos misteres. Trata-se de conceito abstrato que
não implica em um comportamento determinado, mas padrão de comportamento, ao
qual se referiu o Código Comercial, em seu art. 142, quando determina que o
mandatário deve demonstrar, na execução do mandato, “a mesma diligência que
qualquer comerciante ativo e probo costuma empregar na gerência de seus
próprios negócios”.
Trata-se,
com efeito, de regra típica do mandato que foi transposta para o âmbito da administração
das companhias. E por essa razão, entende-se que não se coaduna o padrão com o
sistema organicista que caracteriza a moderna administração societária.
Tratar-se-ia
o dever de diligência de padrão normativo de difícil configuração se sobre a
sua inobservância recaísse o critério de responsabilidade subjetiva. Neste
caso, a prova deveria reunir diversos elementos específicos que tornariam o
preceito de difícil eficácia no âmbito das companhias.
Ocorre
que, ao negligenciar ou agir com imprudência ou imperícia, o administrador
assume o risco do seu ato, sendo irrelevante, nesses casos, o caráter culposo
ou doloso da sua conduta.
Prevalece,
nas hipóteses de negligência, imprudência ou imperícia do administrador, ou
seja, na quebra do seu dever de diligência, a relação de causalidade entre o
dano jurídico ou material sofrido pela companhia e a omissão ou ação do
administrador.
Desse nexo objetivo surge o dever, do administrador, de indenizar a companhia,
independentemente de ter ele agido ou não com culpa ou dolo.
O
administrador, ao inobservar o seu dever de lealdade, está infringindo a lei,
criando um risco de dano para a companhia, razão por que a sua responsabilidade
é objetiva. (grifei)
Ainda, não merece guarida a
justificativa de que a conduta estaria resguardada pela atenção dedicada ao
princípio da economicidade, uma vez que, conforme bem destacado pela Área
Técnica (fl. 289v), tal princípio “não deve ser avaliado de forma isolada, uma
vez que este não sobressai entre os demais Princípios, Legalidade,
Impessoalidade, Moralidade e Publicidade”.
Quanto aos alegados
incrementos de gastos e demais desdobramentos trabalhistas possíveis e
prováveis, segue-se o posicionamento e a sugestão apresentados pelo derradeiro
relatório técnico (fl. 290):
Não cabe a este Órgão
determinar a rotina e forma de funcionamento das atividades dos fiscalizados,
contudo orientar para que os mesmos atinjam de forma satisfatória o seu
objetivo. Ora, caso a contratação de um Profissional de Geologia não se
justifique pelo período integral, que se faça com carga horária reduzida, isto
é, ao invés de 40 horas semanais, apenas 20 horas.
Diante
dos fatos apresentados, entende-se pela manutenção da referida restrição,
determinando que a empresa faça concurso para preenchimento do cargo de
geólogo, ou, através de ato próprio, que o Município ceda parcialmente, de
acordo com a necessidade, profissional habilitado para execução dos serviços de
geologia.
Dessa maneira, em face a todo
o exposto, entende-se necessária a manutenção da restrição inicialmente
apontada, com a consequente aplicação de multa aos responsáveis, bem como a
determinação para que a Companhia providencie concurso público para o
preenchimento do cargo de geólogo, ou diligencie a cessão de servidor da
Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul para o exercício de tal função.
2.4. Omissão quanto à necessidade de fazer constar no Contrato
n. 007/2012 a cláusula que indica a legislação aplicável à execução do contrato
e em casos omissos, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da
Lei n. 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da legalidade e eficiência,
previstos no art. 37, caput da
CRFB/88, e ao art. 55, incisos XI e XII da Lei n. 8.666/93
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, de que o gestor agiu alheio aos cuidados e diligência
que a função exige, no tocante ao Contrato n. 007/2012, incorrendo em
inobservância ao disposto nos arts. 153 e 154 da Lei
n. 6.404/76 e em ofensa aos princípios da legalidade e eficiência, previstos no
art. 37, caput da CRFB/88, e ao art.
55, incisos XI e XII da Lei Federal n. 8.666/93.
Irresignado em face de tal
apontamento, o responsável, Sr. Oswaldo Sanson Junior, em suas justificativas
de defesa (fls. 238-240), limitou-se a explicar (fl. 240) que a omissão teria
decorrido de “um ato errôneo de elaboração” e “não por ilegalidade ou
ineficiência”. Aduziu que seria a primeira vez que elaboraram contrato de tal
natureza, de modo que restou sem as referidas cláusulas por “inabilidade”.
Alegou que não teria havido conduta ativa e dolosa de sua parte, frisando que
pautara sua administração “nos princípios da legalidade, da transparência, sem
jamais buscar qualquer dolo para a CODEJAS”.
Em sua análise, a Área
Técnica considerou (fl. 290) que “caberia ao Gestor encaminhar os referidos
contratos para análise do profissional habilitado, evitando desta forma, as
falhas como ausência de dispositivos
legais necessários”, entendendo pela manutenção da restrição.
Com a devida vênia,
entende-se em sentido diverso, sendo caso de determinação no lugar de aplicação
de multa, uma vez que não houve nenhum prejuízo concreto com relação à omissão
em tela, afora o fato de que caso incidisse alguma demanda, a legislação
pertinente não deixaria de ser aplicada apenas por não constar no contrato
cláusula expressa acerca de sua observância.
Portanto, neste caso,
especificamente, o entendimento deste Órgão Ministerial é no sentido de que se
determine ao responsável que, em contratações futuras, observe a regra no
sentido de fazer constar no contrato a cláusula referente à legislação
aplicável em sua execução e nos casos omissos.
2.5. Contratação do escritório PROSERV Processamento e Serviços
Contábeis Ltda. (Contrato n. 006/2014), bem como omissão quanto à necessidade
de contratação de um contador para compor o quadro de pessoal da CODEJAS,
contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76, bem
como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência,
previstos no art. 37, caput da
CRFB/88
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, da ocorrência de fato caracterizado como terceirização
ilícita de serviço, em afronta ao disposto nos arts.
153 e 154 da Lei n. 6.404/76 no do art. 37, caput
da CRFB/88.
O responsável
apontado, Sr. Odimir Lescowicz, manifestou sua discordância em relação à
presente restrição alegando (fl. 230), inicialmente, que todos os atos da
diretoria teriam sempre se pautado pela transparência e economia dos recursos
da Companhia, “a fim de sanar os problemas administrativos de ordem financeira,
que há um bom tempo vem enfrentando”.
Quanto ao mérito,
afirmou (fl. 230) ser “impossível criar essa estrutura própria, já que os
custos para a contratação de profissionais que prestem serviços nesta área
seriam muito altos”, adicionando os gastos para a realização de concurso
público. Dentre de tal contexto, apresentou tabela (fl. 231) contendo
salários-base mensais para a função de contador nas Prefeituras Municipais de
Jaraguá do Sul, Guaramirim, Schroeder e Corupá.
Asseriu (fl. 231)
ainda que incidiriam custos de encargos trabalhistas, gerando maiores gastos à
Administração, do mesmo modo que o fariam os gastos indiretos com “assinaturas
de informativos trabalhistas, tributários e outros necessários para a
manutenção do profissional devidamente atualizado”. Justificou que a diretoria
teria tentado apenas “ser razoável”, não tendo o intuito de burlar o instituto
do concurso público ou quaisquer princípios constitucionais, enfatizando que “a
economia de recursos salta aos olhos, respeitando, assim, o princípio da
economicidade e otimização”. Ao final, pontuou que a Companhia estaria
“realizando estudo para sanar o problema”.
Contudo,
novamente os argumentos apresentados se afiguram demasiadamente frágeis, na
medida em que se limitam ao plano da ausência de dolo combinada à busca pelo
atendimento da economicidade.
Em que pesem as
justificativas em tela, entende-se que o legalmente correto seria a contratação
de contador por meio de concurso público, eis que tal modalidade deveria ser a
regra, e não a exceção, sobretudo levando-se em conta a natureza da atividade
de contador.
Ademais, conforme
mencionado no item 2.2 deste Parecer, o registro errôneo de valores referentes
a notas fiscais demonstra o contexto problemático de tal área no âmbito da
Unidade, o que compromete sucessivamente diversos fatores, tais como a
organização da Companhia, sua transparência, o equilíbrio de suas contas e até
mesmo a sua fiscalização, o que de fato ocorreu.
Assim, entende-se
por bem a manutenção do apontamento, com a consequente aplicação de multa ao
responsável e a sugestão de determinação à Unidade Gestora, à luz das
conclusões exaradas pela Área Técnica, cujo relatório dispôs da seguinte
maneira (fl. 291):
De fato, desde a criação da empresa, esta deveria contar com um
profissional habilitado, contudo, não o fez, descumprindo o art. 37, II da
CF/88 estabelece que a investidura em emprego público depende de concurso
público e a atividade de contador é permanente.
Diante dos fatos, resta manter a referida restrição, determinando
que a empresa faça concurso para preenchimento do cargo de contabilista, ou,
através de ato próprio, que o Município ceda parcialmente, de acordo com a
necessidade, profissional habilitado para execução da contabilidade da empresa.
2.6. Omissão quanto à necessidade de fazer constar
nos Contratos n. 003/2010, n. 004/2010 e n. 005/2010 a cláusula que estabelece
a vinculação ao termo que inexigiu a licitação, bem como a que indica a
legislação aplicável à execução do contrato e aos casos omissos, contrariando
os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76, bem como em
ofensa aos princípios da legalidade e eficiência, previstos no art. 37, caput da CRFB/88, e ao art. 55, incisos
XI e XII da Lei n. 8.666/93
A presente restrição
originou-se a partir da constatação, pela Diretoria de Controle da
Administração Estadual, de que o gestor agiu alheio aos cuidados e diligência
que a função exige, no tocante aos Contratos n. 003/2010, n. 004/2010 e n.
005/2010, incorrendo em inobservância ao disposto nos
arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76 e em ofensa aos princípios da legalidade e
eficiência, previstos no art. 37, caput
da CRFB/88, e ao art. 55, incisos XI e XII da Lei n. 8.666/93.
Nesse sentido, a
Área Técnica registrou, às fls. 194-195 do Relatório n. 536/2014, que os
mencionados instrumentos contratuais não trouxeram “a cláusula que estabelece a
vinculação ao termo que inexigiu a licitação, bem como a que indica a
legislação aplicável à execução do contrato e aos casos omissos”, tudo em
afronta aos dispositivos acima relacionados, conforme demonstram os documentos
de fls. 112-126.
O responsável apontado, Sr.
Afonso Piazera Neto, conforme referido inicialmente, não apresentou quaisquer
justificativas de defesa, quedando-se inerte, apesar de devidamente citado
(fls. 284 e 286).
Em razão da ausência de
manifestação do responsável, a Área Técnica entendeu (fl. 291) pela manutenção
da restrição.
Contudo, conforme já referido
no exame constante no item 2.4 deste Parecer, entende-se pela substituição da
penalidade de multa inicialmente sugerida pela determinação ao responsável,
levando-se em consideração que não houve nenhum prejuízo concreto com relação
às omissões em tela, uma vez que a ausência de cláusula referente ao termo que
não exigiu licitação não trouxe qualquer impacto material à execução do objeto
contratual, assim como, em relação à ausência de cláusula indicativa de
legislação aplicável, no caso de superveniente demanda, a legislação pertinente
não deixaria de ser aplicada apenas por não constar no contrato cláusula
expressa acerca de sua observância.
Portanto, neste caso,
especificamente, o entendimento deste Órgão Ministerial é no sentido de que se
determine ao responsável que, em contratações futuras, observe as regras no
sentido de fazer constar no contrato as cláusulas referentes ao termo de
inexigibilidade de licitação e à legislação aplicável em sua execução e nos
casos omissos.
3. Conclusão
Ante o exposto, o Ministério
Público de Contas, com amparo na competência conferida pelo art. 108, inciso II
da Lei Complementar Estadual n. 202/2000, manifesta-se:
3.1. pela IRREGULARIDADE das contas em análise nestes autos, com imputação de
débito devidamente atualizado e sem prejuízo da multa proporcional ao dano, na
forma do art. 18, inciso III, alínea “c” c/c o art. 21, caput da Lei Complementar Estadual n. 202/2000, em razão das
irregularidades relacionadas à presente Tomada de Contas Especial, conforme
segue:
3.1.1.
de
responsabilidade do Sr. Dieter Janssen,
na qualidade de responsável pela Presidência da CODEJAS entre 01/04/2013 e
31/03/2014, no montante de R$ 4.759,74, em razão do pagamento deste valor a
título de reflexo/dobra de férias aos empregados Nelson Santos de Lima, Élio
João Sene e Gilberto Mesquita Siqueira, na ocasião da rescisão dos respectivos
contratos de trabalho, em desacordo com o previsto nos arts. 134 e 137 da
Consolidação das Leis do Trabalho, nos arts. 153 e 154, § 2º, alínea “a” da Lei
n. 6.404/76, e no art. 37, caput da
CRFB/88, conforme item 2.1 deste Parecer;
3.2.
pela APLICAÇÃO DE MULTAS na forma do art.
70, inciso II, da Lei Complementar Estadual n. 202/2000, da seguinte maneira:
3.2.1.ao Sr. Dieter Janssen, já acima qualificado, em virtude da omissão quanto à contratação do Escritório de Geologia
Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como quanto à necessidade de contratação de
um geólogo para compor o quadro de pessoal da CODEJAS, contrariando os termos
do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76, bem como em ofensa aos
princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência, previstos no
art. 37, caput da CF/88, conforme item 2.3 deste Parecer;
3.2.2. ao Sr. Jair Augusto Alexandre, então Diretor Presidente da CODEJAS, em
virtude da contratação do Escritório de Geologia
Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como da omissão quanto à necessidade de
contratação de um geólogo para compor o quadro de pessoal da CODEJAS,
contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da Lei n. 6.404/76,
assim como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e
eficiência, previstos no art. 37, caput
da CRFB/88, conforme item 2.3 deste
Parecer;
3.2.3.
ao Sr. Oswaldo Sanson Junior, então
Diretor Presidente da CODEJAS, em virtude da contratação
do Escritório de Geologia Norberto Corbellini Ltda. – ME, bem como da omissão
quanto à necessidade de contratação de um geólogo para compor o quadro de
pessoal da CODEJAS, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154 da
Lei n. 6.404/76, assim como em ofensa aos princípios da legalidade, moralidade,
impessoalidade e eficiência, previstos no art. 37, caput da CRFB/88, conforme item
2.3 deste Parecer;
3.2.4. ao Sr. Odimir Lescowicz,
Diretor Presidente da CODEJAS, em virtude da contratação do escritório PROSERV
Processamento e Serviços Contábeis Ltda. (Contrato n. 006/2014), bem como
omissão quanto à necessidade de contratação de um contador para compor o quadro
de pessoal da CODEJAS, contrariando os termos do disposto nos arts. 153 e 154
da Lei n. 6.404/76, bem como em ofensa aos princípios da legalidade,
moralidade, impessoalidade e eficiência, previstos no art. 37, caput da CRFB/88, conforme item 2.5 deste Parecer;
3.3. pela DETERMINAÇÃO no
sentido de que a CODEJAS realize concurso para preenchimento dos cargos de
contador e geólogo, ou, por meio de ato próprio, convênio com o Município de
Jaraguá do Sul para a cessão parcial, conforme a necessidade, de profissionais
habilitados para a execução das respectivas atividades, conforme itens 2.3 e 2.5 deste Parecer;
3.4. pela DETERMINAÇÃO no
sentido de que a CODEJAS, em
certames e contratações futuras, observe as regras no sentido de fazer constar
no contrato as cláusulas referentes ao termo de inexigibilidade de licitação e
à legislação aplicável em sua execução e nos casos omissos.
3.5. pelas DETERMINAÇÕES e RECOMENDAÇÃO dispostas nos itens 2.9 a
2.15 do Despacho Singular GAC/LEC-594/2015, as quais foram reproduzidas da
parte final do Relatório n. 536/2014 mas não restaram discutidas pela Diretoria
de Controle da Administração Estadual no derradeiro Relatório n. 060/2016;
Florianópolis, 10 de outubro
de 2016.
Cibelly Farias Caleffi
Procuradora
[1] CARRION, Valentim. Comentários à Consolidação das Leis do
Trabalho. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 158.
[2] MARTINS, Sérgio Pinto.
Comentários à CLT. São Paulo: Atlas, 2013, p. 166-168.
[3] CARVALHOSA, Modesto. Comentários à lei de sociedades anônimas:
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. São Paulo: Saraiva, 1997, p.
230-231.